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Olhar das garotas revela delicadeza no longa As Duas Irenes

As reações dos jovens perante a transição para a vida adulta mudam de geração para geração, de século para século. Em um retrato generalizado do século 21, é possível observar que as crianças apropriam-se de comportamentos “de gente grande” cada vez mais novas. Por outro lado, os adultos ainda mostram resquícios da adolescência e da consequente dependência financeira, psíquica e emocional. Após ser aplaudido no Festival de Berlim e ter conquistado quatro prêmios no Festival de Gramado deste ano – merecidamente nas categorias roteiro, ator coadjuvante para Marco Ricca, direção de arte e júri de crítica -, a produção As Duas Irenes entra em cartaz em setembro com uma bela histórica que trata exatamente desta transição de fases.


O primeiro longa-metragem do goiano Fabio Meira, que também assina o roteiro, mostra de uma forma delicada duas meninas de 13 anos que, apesar de terem personalidades, criações e classes sociais distintas, apresentam vários pontos em comum. Além dos laços de sangue similares que elas descobrem no decorrer do enredo, os desejos típicos da puberdade, como o primeiro beijo, o amor juvenil e a identificação mostram uma simbiose entre elas durante 1h29 do filme. As duas são Irene. Sim, o pai deu o mesmo nome para as meninas e na mesma época, já que elas têm a mesma idade. Uma é interpretada por Priscila Bittencourt, a filha do meio de uma família tradicional do interior de Goiás que vê no patriarca um exemplo, embora tenha milhares de problemas com o mesmo - a típica relação de amor versus ódio. O pai é vivido por Marco Ricca, símbolo do homem machista que é obrigado a lidar com as rápidas transformações desta sua pequena para mulher.


Deslocada entre a irmã mais nova e a mais velha - esta interpretada brilhantemente pela atriz brasiliense Maju Souza na pele de Solange -, Irene terá que lidar com algumas indiferenças familiares e com as descobertas de um novo eu. A moça que surge e que começa a se apaixonar e a lidar com o seu corpo de uma outra perspectiva. É quando ela conhece a outra Irene (Isabela Torres), da mesma idade, mesmo nome e fruto de um relacionamento extraconjugal do seu pai. O ódio pela traição desperta ambas, mas a amizade fala mais alto. Juntas, as irmãs vão compartilhar de novas experiências que vão desde uma simples penteada de cabelo, de um andar de bicicleta, até os beijos e o primeiro amor. O contraponto entre a Irene mais emburrada e fechada (Priscila Bittencourt) com a Irene (Isabela Torres) mais solta e descolada é outo destaque fundamental do roteiro. Afinal, são estas diferenças que contribuem para a relação entre elas.


O cenário com as casinhas e ruas nostálgicas - de interior -, as tomadas fixas, nítidas e longas (porém não cansativas) e a trilha com músicas clássicas dos anos 60, como Índia e Banho de Lua costuram ainda a produção. Por ser um filme de época, apresenta traços retrógrados da sociedade e revela o machismo, ainda mais comum no período, assim como as relações extraconjugais. Entretanto, no roteiro, são as mulheres que estão em foco. Sejam as pequenas ou as adultas. Lindo! Vale a pena assistir e se emocionar com a condução afetiva que ainda deixa uma brecha no final. A conclusão cabe à reflexão de cada espectador.
Cotação do Cine61: DaiblogDaiblogDaiblog

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme As Duas Irenes:



As Duas Irenes (Brasil, 2017) Dirigido por Fabio Meira. Com Priscila Bittencourt, Isabela Torres, Marco Ricca, Suzana Ribeiro, Inês Peixoto, Teuda Bara...

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