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Rivalidade e romance pontuam Não Devore o Meu Coração!

Na fronteira entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai, o confronto entre índios, brasileiros e paraguaios é uma constante infeliz. O novo longa-metragem do diretor carioca Felipe Bragança traz esta temática para as telonas. Um tema que  contextualiza-se às duras cicatrizes deixadas desde a Guerra do Paraguai. O diferencial: apesar deste conflito, uma paixão juvenil nada ingênua se sobrepõe. Após passar pelo 67º Festival de Cinema de Berlim em fevereiro, o filme  Não Devore Meu Coração! foi escolhido para abrir a 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro na noite de sexta-feira com este "soco na barriga".  A estreia oficial será no dia 23 de novembro nas salas dos cinemas brasileiros.


O título não induz, como pode se ver, apenas a guerra, em si. Afinal, o foco maior aqui é o de uma paixão que guia e transforma o longa de Bragança em uma obra sensível e única. Não é de se estranhar. O diretor é apaixonado por temas fortes e pela fase da adolescência. Ele lançou, em 2013, Claun (Parte 1: Os Dias Aventurosos de Ayana). O média-metragem retrata a briga entre gangues nos subúrbios do Rio de Janeiro por meio da história da jovem Ayana (Jennifer Melo). Em Não Devore Meu Coração, é o menino brasileiro Joca (Eduardo Macedo) e a índiazinha Basano (Adeli Gonzales) que conduzem o enredo numa cidadezinha do interior do  Mato Grosso do Sul. Aliás, é interessante como desde o início da trama pode se observar a mistura entre a suposta paixão da dupla com as adversidades entre as etnias. Assim como a dureza dos adultos e a guerra na fronteira.  


Em um paralelo a esta paixão, temos a presença de Fernando, o irmão mais velho de Joca vivido por Cauã Reymond. O personagem é o símbolo da fase adulta e das marcas das revoltas acumuladas com o tempo. Motoqueiro e mulherengo, Fernando se junta a uma gangue para ser aceito em terras motogrossenses e acaba por criar inúmeras rixas com índios e paraguaios. Ele e Joca foram parar ali após o duro divórcio da mãe Joana (Cláudia Assunção) e o pai. Neste contraponto entre adultos x jovens, índios x paraguaios x brasileiros,  ninguém sai ileso. Enquanto Fernando é tido como o “Príncipe” entre o grupo de motociclistas coordenado por Telecath (Marco Lóris), Joca sonha diariamente com sua índia e rebela-se contra o irmão mais velho.


A índia Basano, no entanto, mostra-se como uma menina mulher que não tem como foco a paixão. Mas, sim, a preocupação com a exterminação do seu povo. A falta de ingenuidade e as tribos opostas representam aqui um novo conceito do amor romântico, aquém da era de Romeu e Julieta. Belo filme, com tomadas lindas e cenas encantadoras que dão ainda mais gosto de assistir.
Cotação do Cine61: cine61cine61cine61

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme Não Devore Meu Coração!



Não Devore Meu Coração! (Brasil, 2017) Dirigido por Felipe Bragança. Com Cláudia Assunção, Adeli Benitez, Zahy Guajajara, Marco Lori, Eduardo Macedo, Ney Matogrosso, Leopoldo Pacheco, Cauã Reyomond, Mario Verón...

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