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Drama de O Advogado destaca ditadura sul-coreana

Os filmes sul-coreanos têm conquistado cada vez mais o mercado cinematográfico mundial. A Criada (2016) e Oldboy (2003), ambos de Park Chan-wook, e também Mother: A Busca pela Verdade (2009), de Bong Joon-ho, são exemplos de que o cinema sul-coreano é de uma beleza e essência únicas. Agora é o diretor Yang Woo-seok que traz para as salas de cinema brasileiras o longa O Advogado, um fenômeno de bilheteria na Coreia do Sul. Mais de 11 milhões de espectadores já assistiram à produção. 


A história é penetrante do início ao fim. São 2h05 de filme, mas o tempo passa desapercebido. O enredo é baseado na vida de Roh Moo- hyun (1946- 2009), advogado sul-coreano defensor dos direitos humanos que ocupou a presidência da Coreia do Sul de 25 de fevereiro de 2003 a 25 de fevereiro de 2008. Mas, aqui, o advogado é Song Woo-suk, interpretado pelo ator Kang-ho Song. Song é um homem simples, de classe média baixa, sem escolaridade, mas cheio de vontade de viver e de empreender. É quando sua vida e de sua família revira de cabeça para baixo. Ele se torna um exímio advogado tributário e começa a ser freneticamente procurado pelo povo. Mesmo com as críticas dos formados em Direito, Woo-suk ascende financeiramente, conquista os clientes e, também, a plateia que se envolve nas cenas.


No filme, além do dia a dia do trabalhador comum - com tomadas do frenesi dentro do escritório que Song divide com o sócio Park Dong – ho (Dal-Su oh) -, é interessante observar também a batalha diária nos detalhes: o protagonista pega ônibus, distribui cartões de seu negócio e chega a quase apanhar na rua por acharem que ele não é um advogado. Ainda, a vida pessoal do personagem é exposta em takes com os dois filhos e a esposa. Em casa, ele também luta para melhorar a vida de sua família e se mostra como um exemplo de patriarca. Outro ponto de sua rotina é a relação que mantém com a dona de um antigo e simples restaurante que não abre mão de frequentar diariamente, mesmo depois de se tornar bem-sucedido.


Quem nunca foi à Coréia do Sul, vai se sentir lá dentro. Afinal, a produção exalta os trejeitos dos sul-coreanos. A exemplo, Song Woo-suk ganha coloridos na interpretação de Kang-ho Song, um homem frenético, mas ao mesmo tempo engraçado, companheiro e fiel para com seus amigos e família. A alegria deste povo contagia em cenas de confraternização dentro do restaurante, assim como a culinária do país. Carne de porco é um dos pratos preferidos do protagonista e dá água na boca também do outro lado da telona. 


Detalhes à parte, o filme se torna ainda mais primoroso por ser dividido em dois momentos. Antes e depois de 1981. Na primeira uma honra assistimos a uma produção leve, que mostra a ascensão de Song e o seu empenho em concretizar o sonho de empreender. Já no segundo “capítulo”, a violência da ditadura imposta na Coreia do Sul na década de 80 toma conta. De leve, o longa passa a pesar. Ao se envolver no caso de estudantes detidos brutalmente pela polícia em tempos de chumbo, Song Woo-suk irá olhar internamente para os seus valores e caminhar em prol da defesa da população. O que começou como rosas, termina como cravos que, mesmo assim, não deixam de ser flores. Cenas de espancamentos dentro das prisões e a agressão contra o advogado que passa a ser considerado como comunista são de indignar. De fato, uma bela obra de arte que consegue escancarar as crueldades deste período ditatorial, a rotina de um trabalhador e peculiaridades da cultura sul-coreana.
Cotação do Cine61: Cine61Cine61Cine61Cine61

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme O Advogado:



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