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Tag é uma sanguinária alucinação com propósito

Definitivamente não recomendado para quem está acostumado com clichês ou quem não quer sair da zona de conforto, Tag é um filme que cria inúmeras interrogações na cabeça durante praticamente toda a projeção. Tudo isso porque o público, assim como a protagonista, fica sem entender o que está acontecendo durante sequências extremamente violentas. A direção e roteiro são de Sion Sono (que fez O Pacto, inspirado no polêmico mangá Círculo do Suicídio). Desta vez, o cineasta se baseou no livro best-seller The Chasing World, que já deu origem a nada menos que cinco filmes e uma minissérie.


Mitsuko (Reina Triendl, uma atriz em ótima atuação) é uma estudante que viaja com a turma em um ônibus. O longa-metragem começa de forma bela e uma trilha sonora suave. Tudo para, de uma hora para a outra, desmoronar e virar um inacreditável banho de sangue. A partir daí, tudo torna-se extremamente imprevisível e chega a ser complicado comentar mais detalhes sem estragar as surpresas. Basta dizer que a história acompanha outras duas personagens importantes: Keiko (Mariko Shinoda), uma noiva prestes a se casar, e Izumi (Erina Mano), uma atleta que participa de uma corrida.


Com diversas perseguições e perigos inesperados - como um vento mortal e professores assassinos - o filme se desenvolve enquanto planta cada vez mais perguntas em quem assiste. Algo na linha Cidade dos Sonhos, de David Lynch. E isso garante o interesse por causa da curiosidade em tentar imaginar a conclusão. Porém, perto do final, existe uma explicação para que o público, por fim, consiga compreender o motivo de tudo aquilo. Ainda que não seja algo muito esclarecedor, dá abertura para diversas teorias. Em tempos de refilmagens e repetições, Tag é uma joia rara por ser bem original.


Mais do que um filme de terror, traz muitas críticas sobre o papel da mulher na sociedade - ou no mundo dos homens. O elenco praticamente todo formado por garotas, assim como as colegiais uniformizadas e a representação do matrimônio são elementos que ajudam a compreender a principal mensagem do longa. De forma visceral, Sono usa metáforas e até a ficção científica para fazer pensar sobre a crueldade de costumes e fatos que fazem parte do dia a dia da sociedade contemporânea. Uma grande e sanguinária alucinação com propósito.
Cotação do Cine61: Cine61Cine61Cine61Cine61

*Por Michel Toronaga - micheltoronaga@cine61.com.br

Veja aqui o trailer do filme Tag:



Riaru Onigokko (Japan, 2015). Dirigido por Sion Sono. Com Reina Triendl, Mariko Shinoda, Erina Mano, Yuki Sakurai, Aki Hiraoka...

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