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Cobertura: Paranoá respira cinema com o festival

A Mostra Competitiva da 2ª edição do Festival de Cinema do Paranoá começou a todo vapor. O Centro de Desenvolvimento e Cultura do Paranoá CEDEP (Qd 9 Conjunto D) era só alegria nesta sexta-feira (27/04). A casa teve lotação na sessão das 19h30. A comunidade marcou presença e prestigiou os curtas-metragens dos quatro cantos do país que foram exibidos e receberam aplausos. 

As produções, muito bem selecionadas pela equipe de curadoria, apresentaram temas diversificados. Desde romances, até filmes mais juvenis e outros com direito a animação. Não faltou experimentações, documentários e ficções. 

Exemplo de filme que cativou a plateia, O Menino Leão e a Menina Coruja, de Renan Montenegro (DF), foi um dos mais aplaudidos.  O filme representante do Distrito Federal foi inspirado no simbolismo de animais selvagens. A produção fala sobre tolerância, respeito e bullying. Em uma escola no meio da floresta, crianças são caracterizadas como animais. Chefe do grupo , o menino leão representa a força da selva e do dia e, por isto, é escutado pelos coleguinhas.  Já a menina coruja é representante da sabedoria e alça voos durante a noite. Diferentes, porém necessários um para o outro, as duas crianças acabam por se respeitarem. Uma lição contada de forma juvenil, que vale-se desta visão que beira um certo surrealismo para passar a mensagem. 

O Menino Leão e a Menina Coruja
Já do Rio Grande do Sul, outro destaque do festival foi Sobre um Filme Que Não Acabou, de Diego Tafarel. O documentário conta a história de uma senhorinha solitária que vive no meio de uma antiga fazenda e é alegre com sua rotina diária de trabalho. A senhora, no entanto, morreu antes da conclusão das filmagens. A produção cativa pela simplicidade e nos chama a atenção ao focar na história de uma mulher de terceira idade que precisa falar. 

Já saindo do sul e indo para  Mato Grosso, produção também exibida, Teodora Quer Dançar, da roteirista Samantha Col Debella, é uma história baseada na lenda da mulher de máscara que aparecia nos bailes de carnaval do antigo Clube Feminino de Cuiabá. Misteriosa, esta mulher que se diz chamar Teodora se envolve com um advogado. Ele a encontra em locais secretos e pouco sabe sobre sua história. É quando este se vê envolvido numa paixão obsessiva embalada pela música Light My Fire, de The Door. A canção é tema do filme que se consagra por uma bela fotografia que exalta o símbolo de fogo. Velas em chamas embelezam e poetizam as cenas. 

Fotos: Vladimir Luz
De São Paulo, Nome Provisório, de Bruno Arrivabene e Victor Alencar, retrata a história de Renata, uma mulher que nasceu homem mas assumiu a nova identidade. A dificuldade de aceitação das pessoas é quebrada quando esta mulher se encontra casualmente com uma vendedora de uma lanchonete que a oferece um pedaço de bolo. O bolo, muito destacado como símbolo na fotografia, se transforma na união entre duas pessoas do sexo feminino. Uma bela e comovente produção. 

Outro destaque da noite, Sujeito Objeto, de Djalma Calmon (BA), se sobressai como um dos mais interessantes. A trama de ficção tem em foco um homem negro desempregado que é cobrado diariamente por sua mulher. Ele tem uma filha e precisa de dinheiro para sustentar a casa. Ator sem formação, este homem não se sai muito bem nas entrevistas. É quando resolve assumir a identidade de um homem prateado e ficar parado em pontos turísticos para tentar tirar um trocado. Belo filme, sensível e com uma temática original que realça o sujeito como objeto do seu meio.  

A Retirada para Um Coração Bruto
Pelo CEDEP, o público pôde ainda conferir as produções Passageiro, de Adriana Gomez (SP); Desobediência Civil, de Daniel Ortega (PE); Agonia, de Yan Araújo (PB); Me, de Ana Carolina Brito (DF); Perambulação, de Samuel Peregrino (GO); e A Retirada para um Coração Bruto, de Marco Antônio Pereira (MG). Uma vida longa ao cinema e aplausos para a 2ª edição do Festival de Cinema do Paranoá. 

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

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