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Homem esconde segredo íntimo no curta brasiliense Tendência

O curta-metragem Tendência é um dos destaques do 2º Festival de Cinema do Paranoá. Com direção de Jonathan Costa, o filme de Brasília traz polêmicas e faz pensar. Na trama, Lúcio é um pai de família que vive em segredo uma crise consigo mesmo relacionada a sua sexualidade. Vivendo anos de agonia, decide então assumir para sua família sua verdadeira condição sexual. Para conversar sobre o filme, o Cine61 - Cinema Fora do Comum procurou o diretor, que comentou sobre seu mais recente trabalho:

Como é estrear seu filme num festival todo feito em Brasília?
Bom, primeiramente eu me sinto lisonjeado por ter realizado meu primeiro curta em Brasília. Todos nós conhecemos o histórico cinematográfico de Brasília e fazer parte dessa história é uma honra para mim. Fazer parte desse festival foi um presente para o filme, é o nosso primeiro festival, nosso primeiro fruto e estrear em um festival todo feito em Brasília é começar o ano com o pé direito.


O Brasil é um país homofóbico, transfóbico e preconceituoso. Como você acha que Tendência será recebido pelo público?
O filme é sobre um crossdresser. Provavelmente a maioria da pessoas ao assistirem o filme entenderão que se trata de uma trans, mas não é bem o caso. Hoje em dia para muitos é muito difícil separar trans, gays e cross de um grupo, mesmo sendo casos completamente diferente. O filme mostra como um homem pode viver tantos anos guardando em segredo sua sexualidade, até que um dia decide se assumir para toda sua família. Acredito que vivemos em uma década onde se torna mais fácil abordar esse assunto em qualquer meio dentro da arte. Penso que o público está muito mais aberto do que há dez anos atrás. Aproveitei que esse assunto está bastante em pauta entre a população para representar essa estória. Para mim é uma forma de ajudar o público a entender mais sobre os obstáculos que muitos trans, gays e os cross sofrem durante suas vidas.

O tema em questão é, muitas vezes, retratado de forma humorística ou caricata. O que te levou a seguir esta abordagem mais dramática?
Eu sou um cara dramático. Não acredito muito em finais felizes. Sempre busco o método mais realista para qualquer roteiro que escrevo. Para mim sempre é mais interessante.


Rômulo Augusto está excelente e traz a angústia e o desejo que o papel pede. Como foi a escolha dele para o papel protagonista?
Minha história com o Rômulo Augusto começou quando eu cheguei a Brasília. Eu sou de Jundiaí, interior de SP. Em 2013, quando cheguei a Brasília, eu queria ser ator e buscava algumas aulas particulares. Foi quando conheci o Rômulo e combinamos de fazer algumas aulas. Foi onde nossa amizade começou. Desde então, sempre combinamos projetos e acabei desistindo da ideia de ser ator para me dedicar a meus projetos como diretor. Tive muita sorte em ter um ator como o Rômulo em meu filme. Ele é um excelente profissional e veterano nos teatros de Brasília. Suas experiencias me ajudaram muito em meu primeiro projeto de ficção. Quando apresentei a ideia do filme, ele entrou de cabeça no projeto, pois sabia do potencial.


Seu filme é uma produção independente, o que não significa que não tenha qualidade. Pelo contrário, não tem diferença alguma se comparado a filmes com orçamento. Como foi a produção do curta?
A produção foi muito difícil. O filme literalmente não teve verba alguma. Todos foram voluntários e se dedicaram de uma forma inimaginável. Eu fui muito abençoado com a equipe que tive. Realizar um filme dessa magnitude sem grana é quase que um milagre cinematográfico. A produção levou alguns meses. Tínhamos que gravar conforme a agenda de cada um da equipe, então imagine o rolo que dava. Se faltasse um figurante já interrompia a produção. Era loucura! Eu tive que me virar nos trinta. Era um imprevisto atrás do outro. Me lembro que poucos dias antes de começarmos a gravar, meu assistente de direção teve que abandonar o projeto. Aquilo foi como um aviso do além, onde eu teria uma missão quase que impossível pela frente. Mas aos poucos tudo corria bem. A equipe foi o diferencial desse filme, o que prova o resultado final.Todos merecem seu devido mérito. 


Serviço
2º Festival de Cinema do Paranoá 
De 23 a 29 de abril (segunda a domingo)
Local: Centro de Desenvolvimento e Cultura do Paranoá  - CEDEP (Q. 9 Conjunto D)
Exibição dos filmes: De 26 a 29 de abril, a partir das 15h. As atividades paralelas acontecem na semana, durante o dia. Confira horário, programação completa e classificação indicativa em: www.grupooitavaarte.com.br

*Por Michel Toronaga - micheltoronaga@cine61.com.br

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