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A velha infância e a nostalgia do curta Luiz

O curta-metragem Luiz, de Alexandre Estevanato, faz parte da Mostra Passarinho, que integra o 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. Hoje, 22 de maio de 2018, a criançada poderá acompanhar uma série de filmes infantis Cine Teatro Cultura, às 10h. O Cine61 - Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta, que falou sobre Luiz.

Nicette Bruno tem a simpatia e graça das melhores vovós. Como foi escolher essa atriz?
Quando decidimos produzir o curta-metragem Luiz, queríamos que o filme emocionasse o público por meio da história, da narrativa e, sobretudo, por meio das personagens. Ao pensarmos na personagem da Vó Laura, imediatamente veio a imagem da atriz Nicette Bruno. Depois de entrarmos em contato com ela e enviarmos o roteiro, ela nos retornou prontamente aceitando o papel. Foi maravilhoso dirigi-la no set de gravações. Um amor de pessoa, humilde, de um profissionalismo inigualável, aprendi muito.


Seu filme fala de infância e lembranças. Como você define Luiz?
Luiz é um filme que resgata sentimentos cotidianos que costumeiramente deixamos de lado no dia a dia. Fala sobre família e as vicissitudes da vida. É um filme inocente, que busca aproximar pessoas, despertar aquela vontade de ligar pra alguém que você ama e não conversa há algum tempo. 

Hoje em dia muitas crianças amadurecem cedo. Você acredita que ainda há espaço para a infância como a de antigamente?
Acredito muito na "velha infância", aquela que vivi na década de 80, quando podíamos ficar até mais tarde na rua jogando "Bets" ou apenas conversando com os amigos. Aquela época que não havia celulares com jogos ou redes sociais e ainda era possível estabelecer o olho no olho durante longas conversas. Acredito na infância onde nossas maiores preocupações eram as provas de matemática e história, e não na infância de hoje em que a criança é logo diagnosticada com distúrbio de aprendizagem, TDAH ou hiperatividade.
 

As filmagens foram em São José do Rio Preto, certo? Comenta um pouco sobre as bucólicas locações.
As locações de Luiz foram escolhidas a dedo. A casa da Vó Laura tinha que ter aquele gostinho, aquele cheirinho de casa de vó, sabe? Tinha que ter um aconchego que, ao terminar o filme, o telespectador ficasse com vontade de continuar na casa dela. Acho que conseguimos! (risos) Sempre ouvimos depoimentos de pessoas que dizem ter sentido uma nostalgia deliciosa com o ambiente do filme. Mérito de nossa direção de arte que conseguiu aquele lugar fantástico, o Café da Colônia, na cidade de Uchôa-SP, pertinho de São José do Rio Preto. Transformamos um café colonial na casa onde a personagem da Vó Laura passara sua vida, criando uma ambiência digna de "casa de vó" (risos). E aquele por do sol? Ahh o por do sol... Visitamos a locação até encontrarmos o momento ideal do dia para gravarmos aquela cena, além do talento dos atores Gabriel Freire (Luis), Rafael dos Santos (amigo imaginário - Luiz) e Marcelo Matos (Luis Alberto) ganhamos de presente aquele maravilhoso por do sol para agraciar a cena. 


A música de Ana Vilela (Trem Bala) emociona e faz pensar. Seu filme também busca emocionar o público? De que forma?
Sim, buscamos emocionar o público, ao passo que a condução da narrativa provoca reflexões acerca de nossos entes queridos, da vida corrida que levamos sem nos darmos conta das pequenas coisas, pequenos atos que podem ser vistos como piegas, ou desnecessários, como um abraço, um "eu te amo" ou mesmo um sorriso. Sem maiores pretensões, esperamos que o filme atinja as pessoas de uma maneira sublime e delicada.

*Por Michel Toronaga - micheltoronaga@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da organização do 3º Cine Jardim

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