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Lembranças de décadas estão no documentário Victor Vai Ao Cinema

O documentário Victor Vai ao Cinema, de Albert Tenório faz parte da Mostra Voo Livre, que integra o 4º Cine Jardim – Festival Latino-Americano de Cinema de Belo Jardim, em Pernambuco. Hoje, 23 de maio de 2018, o público poderá acompanhar uma série de filmes infantis Cine Teatro Cultura, às 14h. O Cine61 - Cinema Fora do Comum entrevistou o diretor, que falou sobre seu filme. A obra fala sobre o figurinista e cenógrafo Victor Moreira:

O que te levou a fazer um filme sobre Victor Moreira?
A ideia surgiu durante um curso de pós-graduação em cinema quando a produtora, figurinista e arquiteta Marina Pacheco, neta de Plínio Pacheco, idealizador do Teatro de Nova Jerusalém localizado (Fazenda Nova - PE), apresentou-me Victor Moreira e este contou suas centenas de histórias. Primeiramente, escrevi juntamente com Prof. Almir Guilhermino o roteiro de Procissão, que trata também da história de Victor Moreira, porém com uma abordagem mais ampla e profunda. Por limites financeiros e de produção decidi buscar uma das histórias de Victor Moreira que se relacionavam com o cinema e seu trabalho. Sabendo que seu avô foi um dos proprietários do Cine-Olinda, cinema de rua que continua desativado, ultrapassando décadas sem qualquer atenção do poder público, aproveitei para levá-lo lá. Há mais de 60 anos Victor não ia naquele cinema. E isso só foi possível graças a ocupação do Cine-Olinda por pessoas defendiam e ainda defendem a recuperação daquele antigo cinema. O filme traça uma ligação entre a vida de Victor Moreira e seu trabalho artístico com o cinema. A ideia de resistência veio espontaneamente, primeiro os poucos recurso que tivemos para realizar o filme. Temos vários editais, passávamos em algumas fases, mas nunca fomos agraciados. Além disso Victor Moreira é um forte, com mais de oitenta anos de idade. Continua lúcido e ainda trabalhando muito. Sem perder o bom humor.


Como foi o trabalho de pesquisa e resgate? 
Quando fui apresentado a Victor, ou Tio Victor, como gosto de chamá-lo, apesar de não ter qualquer parentesco. Nesse primeiro momento ele já revelou dezenas de coisas interessantes na trajetória de vida dele. E convidou para visitá-lo em sua residência. Marina Pacheco, como produtora, organizou o encontro e pude estar em um verdadeiro templo de histórias documentadas com recortes de jornais, fotografias, áudios de entrevistas, uma infinidade de desenhos, estampas, pastas, livros, cartas, etc... Tudo sobre a histórias de sua vida sob a perspectiva dos seus trabalhos artísticos. Além do arquivo vivo que é o próprio Victor Moreira. Tudo isso facilitou muito nossa pesquisa e resgate dos fatos.

Você trabalha como ator também, certo? Fez O Som ao Redor, a série Justiça, na Globo. Pode contar um mais da sua carreira? 
Sim, também sou ator e me profissionalizei há sete anos, mas faço teatro amador desde os 12 anos de idade. Na escola eu nunca buscava falar sobre ciência na feira de ciências. Queria mais as coisas lúdicas como teatro e música. Protagonizei duas peças de teatro na fase colegial. Passei um tempo sem atuar só me dedicando as estudos formais.  Fui estudar Engenharia em SP, mas desisti. Vi que minha área era humanas ou saúde. Assim, fui estudar Direito em Recife, onde busquei minha profissionalização como ator. E foi onde surgiram trabalhos como O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho; Prometo Deixar um Dia Essa Cidade, de Daniel Aragão,  Baunilha, de Leo Tabosa; Repulsa, de Eduardo Morotó, uma série chamada de Fantásticos, de André Pinto e Henrique Spencer, entre outros...


Este é o seu primeiro filme como diretor? Por que escolheu um documentário? 
Sim, meu primeiro filme. Escolhi o documentário pelo fato de poder contar uma história real com o próprio personagem e fazer surgir uma história a partir de um passeio ao cinema que ele não ia há muito tempo. Por outro lado, no roteiro original tem uma mistura de ficção com documentário. Partes dramatizadas e outras com entrevistas diretas e indiretas, situações de improviso. Porém, a produção limitou tudo por não ter orçamento suficiente. Não gosto de rotular gêneros, mas o filme é totalmente identificável com o gênero documentário.  

O diretor e ator Albert Tenório
O filme foi uma produção independente. O que você tem em mente para o futuro? 
Sim, a produção é totalmente independente. Victor Vai ao Cinema custou no máximo 1800 reais. É tanto que nossas limitações técnicas (falta de correção de cor, mixagem) possivelmente deixe o filme de fora de alguns festivais onde a curadoria queria mais estética do que conteúdo. Até entendo isso, faz parte das avaliações. A Alastrado, coletivo que sou co-fundador com Tulio Vasconcelos, vem buscando recursos para dar continuidade nas produções com mais qualidade técnica. Contudo, isso não nos deixa parados. Estamos constantemente buscando o cinema de uma forma universal. Seja fazendo filmes ou discutindo sobre eles. Temos no forno alguns curtas-metragens com roteiros meus em tratamento e pelo menos dois longas em vista com roteiro de Almir Guilhermino. Por fim, agradeço pelo espaço e interesse em  nosso trabalho. Muito obrigado!!! Viva ao cinema!!!

*Por Michel Toronaga - micheltoronaga@cine61.com.br


O jornalista viajou a convite da organização do Cine Jardim.

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