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Animação revela o cotidiano de malabaristas de rua

A animação brasileira O Malabarista, de Iuri Moreno, integra a Mostra Competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), na Cidade de Goiás, em Goiás. O Cine61 - Cinema Fora do Comum conversou com o cineasta, que falou sobre seu mais recente trabalho. O filme é um documentário sobre o dia a dia dos malabaristas de rua, que colorem a rotina dos entediantes centros urbanos.

O curta é uma animação sobre malabaristas de rua. Teve alguma pesquisa para entender o universo dessas pessoas que fazem arte na rua?
Sim, desde a minha graduação em Fotografia e Imagem pela Faculdade Cambury, em 2010, eu já comecei a pesquisar o universo dos artistas de rua, principalmente dos artistas circenses. Houve, inclusive, uma tentativa de realizar um documentário com o pessoal do Coletivo É Só Querê Fazê e Trupe Trip Trapo, com artistas como o Bulacha e o Saracura. Fhegamos a gravar várias coisas, mas infelizmente não conseguimos chegar a um produto final por inúmeros motivos. De lá pra cá, eu insisti, coloquei o projeto na Lei Goyazes e acabei aprovando. Nesse meio tempo também comecei a me interessar cada vez mais por animação, até que decidi unir as duas coisas: fazer um documentário sobre malabaristas de rua e realizado integralmente em animação. Desde a época da faculdade até o início do trabalho de animação, foram entrevistados mais de 15 artistas, sendo os últimos, que entraram no filme de fato, entrevistados durante a 18ª Convenção Brasileira de Malabarismo e Circo, que aconteceu em Goiânia ano passado e entrou como apoiadora do nosso filme.


Os malabaristas colorem o cinza de grandes centros urbanos, o Fica é voltado para questões ambientais. Existe algum tipo de reflexão nesse sentido? Da poluição dos carros (cinza) e o colorido dos malabares?
Essa é a reflexão que carrego comigo desde a primeira vez que pensei em fazer um filme com essa temática. Sou fascinado pelo circo desde criança e me encanta, principalmente, quando vejo essas cores invadirem um meio que não está preparado para recebê-las, mas que mesmo assim as recebe. A cidade se fecha num cinza constante e a arte, acompanhada do amor, traz alívio, leveza a um ambiente tão opressor.


Quais os processos utilizados na criação da animação?
O primeiro trabalho foi a pesquisa, seguida das entrevistas, que desde o princípio já estavam planejadas para entrar apenas na camada sonora do filme. Depois de conhecer o cotidiano dos malabaristas e entrar de cara nesse universo, criei um roteiro para a animação, com o objetivo de contar a história de um dia na vida de um malabarista de rua. Com o roteiro em mãos e entrevistas decupadas, convidei o animador Wesley Rodrigues para assinar a animação e direção de arte do filme. Trabalhamos à distância: ele na Argentina e eu aqui em Goiânia. Primeiro foi feito o storyboard, definimos a arte conceitual, o Wesley trabalhou nos cenários e em seguida partiu para a animação. Os cenários foram pintados a mão e a animação foi realizada digitalmente no formato 2D. Posteriormente o Thiago Camargo, da Mandra Filmes, trabalhou o som, e o Dênio de Paula, da Tambor Cantante, trabalhou a trilha musical. A música que encerra o filme, Paixão de Malabarista, é uma composição de um dos artistas que fizeram parte da pesquisa, Saracura do Brejo, que contou com a interpretação da musicista e também artista de rua, Flávia Carolina. A partir daí foi finalizar o filmes e começar sua distribuição.


Como foi a recepção do O Malabarista em outros festivais e qual a sua expectativa para o Fica?
A recepção em festivais está sendo incrível. Fomos selecionados para o 58º Zlín Film Festival, maior festival do segmento infanto-juvenil do mundo, entramos no Anima Mundi, no Guarnicê Festival de Cinema e recentemente conquistamos o prêmio de Melhor Filme Nacional e do CONNE (Centro-Oeste, Norte, Nordeste) no Anima Ceará. A expectativa para o Fica é grande. Será a primeira vez que verei o filme nas telonas e com a presença de um grande público, pois nos outros festivais eu ainda não tive a oportunidade de ir. Espero que todos gostem e que o filme represente nossos artistas de rua.

Seus trabalhos, como Lápis sem Cor, tratam do lúdico, do universo infantil. Seus próximos trabalhos continuaram abordando essas temática? Por que a preferência por esses temas?
Eu sempre me interessei por esse universo lúdico, sempre fui apaixonado por animações e live-actions que exploram essa temática. Com certeza meus próximos trabalhos continuarão nessa linha. Já tenho vários projetos de curtas, longas e séries, e todos permeiam esse universo. Não sei dizer ao certo o porquê, posso arriscar dizer que deve ser um refúgio dessa realidade assombrosa que vivemos, onde a intolerância, o egoísmo e o preconceito reinam. O fantástico e o lúdico me atraem mais.

*Por Vinícius Remer da Silva - Especial para o Cine61 - contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do FICA

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