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Bate-papo com Heloisa Passos, de Construindo Pontes

O documentário Construindo Pontes, de Heloisa Passos, integra a Mostra Competitiva da 20ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), na Cidade de Goiás, em Goiás. O Cine61 - Cinema Fora do Comum conversou com a cineasta, que falou sobre o mais recente trabalho. O longa aborda a relação da diretora com o pai, engenheiro que trabalhou construindo pontes na ditadura militar, além de retratar o embate político, familiar e a relação afetiva entre os dois. 


No FICA, um festival voltado para questões ambientais, Construindo Pontes foi selecionado para a mostra competitiva. O filme recorda como um paraíso artificial foi destruído para a construção de uma usina elétrica, em plena ditadura militar. Qual reflexão o longa levanta sobre o meio ambiente? 
O disparador do filme foram as Sete Quedas, a submersão de um patrimônio da natureza para construir a maior usina hidrelétrica do mundo em geração de energia. Destruir o antigo para construir algo novo é a força inicial do filme. As águas do Rio Paraná  percorrem o filme provocando uma reflexão do homem versus a  natureza e vice versa. Não vivemos mais num regime autoritário e dos anos 80 para os dias atuais, os biomas brasileiros continuam sofrendo ameaças. Depois de 30 anos desde o fim da ditadura, o processo democrático brasileiro ainda vive sob ameaça. São questões desanimadoras... Estou respondendo suas perguntas no oitavo dia de greve dos caminhoneiros. O que isso tem haver com a sua pergunta? Tudo! Estamos vivendo um momento tenebroso, um verdadeiro desmonte da frágil democracia que conquistamos nos últimos anos. O processo democrático brasileiro vive sob ameaça, não temos um projeto de governo que pense no brasileiro de forma social, cultural e ambiental. O projeto é político, os donos do poder administram o país com um único interesse, se manter no poder.


… Mas nesta "viagem" que você faz com seu pai em Construindo Pontes, a chegada é animadora?
A narrativa de duas pessoas que pensam diferente, se aceitarem e realizarem um filme juntos é uma viagem difícil, mas acima de tudo é um processo amoroso.

No mundo de hoje está mais fácil construir muros do que pontes. Na sua visão de diretora, por que é mais fácil isolar pessoas do que conectá-las?
Como cineasta, quero quebrar muros, construir pontes, fazer conexões. Quando decidi fazer Construindo Pontes, o meu  maior desafio era fazer com que um filme pessoal se convertesse em uma experiência coletiva. Estamos vivendo, no Brasil de hoje, um momento extremamente turbulento politicamente e a polarização tomou conta do nosso país, inclusive nas relações familiares. Ao me  debruçar na relação que tenho com meu pai, entendo que, através dos afetos, podemos compartilhar o aprendizado do diálogo e exercitar cotidianamente a prática da democracia.


Como foi a recepção de Construindo Pontes em outros festivais? E como você acha que o público do Fica vai receber seu longa?
O filme passou por Amsterdam (IDFA), Montevideo, Festival de Brasília, Mostra de São Paulo e acabei de chegar do Equador, do XVII Edición del Festival Internacional de Cine Documental - Encuentros del Otro Cine. A minha experiência presencial nesses festivais está sendo de troca. São vários os eixos temáticos do filme: relação pai e filha, memória afetiva, memória histórica, a nossa frágil democracia, destruir para construir, Brasil e Paraguai, usina hidrelétrica. Espero que o público do FICA entre no filme.

Quais são seus projetos futuros? Mais documentários? Mais política? Mais meio ambiente?
Mais documentário, mais política, mais meio ambiente, mais família, mais sociedade brasileira. Meu próximo filme chama: Somos o que Perdemos.

*Por Vinícius Remer da Silva - Especial para o Cine61 - contato@cine61.com.br

O jornalista viajou a convite da produção do FICA

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