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Não faltam críticas no ótimo New Life S. A

O longa da Mostra Competitiva de domingo (16) foi New Life S. A, do Distrito Federal. Um forte concorrente a levar o troféu Candango.  O filme chega com uma voraz crítica à especulação imobiliária e à construção dos inúmeros condomínios e bairros projetados no DF. E é mais um destes que será construído, com o conceito de uma New Life. A produção se desenrola em torno do arquiteto Augusto (Renan Rovida). Augusto acompanha desde uma nova obra (a Dream Life), como também faz visitas à famílias “decoradas”. 


Decoradas porque o diretor retrata uma típica e falsa família de comercial de margarina. As imagens causam até risos por ser tão escrachada a crítica a esta vida fake. A artificialidade se acentua ainda quando os personagens trocam de papel. A criada vira patroa e vice-versa. Um recurso bem interessante, que é o de assumir o ser ator dentro e fora do filme. "Estamos sempre atuando".  


O fake também acompanha a vida do arquiteto que vive uma rotina estranha, desde um sexo que não rola até um não-me-toque com sua esposa Marisa (Fernanda Rocha). Isso se estende ainda para o bebê que eles criam, mas não ousam tocar. Para dar um tom mais ácido ao clima, à frente da construção do condomínio Dream Life, pedreiros mostram suas insatisfações com a rotina de picaretagens. Piora ainda quando um morre e a família, claro, não vê a cor da indenização. A obra do Dream Life, cheia de falhas, é comandada por Rubens (Murilo Grossi), o típico empresário charlatão que só quer ganhar e abusar dos seus funcionários. 


Há ainda a presença do candidato a senador Valter, vivido por André Deca. Outra figura que soa engraçada, já que as propagandas políticas são descaradamente assumidas como falsas. Para rechear mais a história, um barracão se destoa na frente do Dream Life. A ideia dos políticos e empresários é dar fim a este reduto de “pobres” para que a obra seja um sucesso. Ufa! São muitos elementos, mas embora pareça confuso, o diretor sabe bem como conduzir o fio da meada, que acaba girando sempre em torno de Augusto. O arquiteto é jogado no meio desta “confusão” e vai se deteriorando junto a ela. Ao fim, o que era um sonho se transforma em um pesadelo. 

*Por Clara Camarano - contato@cine61.com.br

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